Escrever sobre Gloria Pires no cinema é todavia mergulhar na essência da alma humana. Tive o privilégio de acompanhar “Sexa” no Festival Internacional do Rio e por fim na pré-estreia em São Paulo. Primeiramente, Gloria demonstra maestria ao conduzir reflexões sobre preconceitos com muita leveza. Em “Sexa”, ela conduz portanto a narrativa com a segurança de quem domina cada ângulo do set e a sensibilidade feminina.
Eu e minha grande amiga Gloria Pires
Sobre o filme
A princípio, a trama apresenta Bárbara, sexagenária que negocia com as injustiças do tempo e do colágeno. Entre vinhos e conversas com a amiga Cristina, ela enfrenta dessa forma o julgamento de um filho tóxico.
O filme entrega um dilema visceral entre o medo do julgamento e a intensidade do agora. Como produtora, tocou-me a celebração do corpo e do desejo feminino na maturidade.
O humor sarcástico entre as protagonistas, por fim humaniza a dor do envelhecer com leveza e verdade.
Cena Final
A cena final na praia com Rosa Maria Murtinho é um ápice artístico, dessa forma, traduzindo visualmente a liberdade proposta. Filmado em curto período, o longa todavia revela engajamento total da equipe com uma diversidade que transborda propósito. Dessa forma, a trama de Bárbara desafia o etarismo ao viver uma paixão com Davi, 25 anos mais jovem.
Resumo de Sexa
A saber, Sexa é um espelho necessário para todos, quebrando paradigmas e provando que a vida não tem validade. Saí das exibições certa de que o cinema brasileiro ganhou uma obra que, por fim, acolhe e humaniza nossa jornada.
O longa confronta preconceitos e é justamente nessa provocação que reside portanto sua maior força. Em suma, “Sexa” chega oficialmente aos cinemas neste 11 de dezembro como um convite à vida.
A diretora Gloria Pires
Anttônia, Gloria e Ana Morais
O jornalista Reinaldo Dutra com Gloria Pires
Prestigiando a estréia de Sexa em São Paulo
Ficha Técnica
– Direção: Gloria Pires
– Assistente Direção: Maria Clara
– Roteiro: Guilherme Gonzalez com colaboração de Bianca Lenti e Gloria Pires
– Fotografia: Kika Cunha
– Montagem: Livia Arbex
– Som: Zezé D’Alice
– Música: Rodrigo Lima
– Direção de arte: Mônica Delfino
– Elenco: Gloria Pires, Thiago Martins, Isabel Filardis, Danilo Mesquita, Eri Johnson, Rosa Maria Murtinho, Dan Ferreira, Déa Lúcia
Autora: Andréa Apurinã, Cineasta, Produtora, Colunista, Autora, Palestrante e Mentora. Doutora Honoris Causa em Audiovisual pela Universidade da Flórida. Fundadora de EFATÁ FILMES, IMAGINE-SE e FAZCINE.
Indigenous woman in the urban world. Paris, Manaus e Rio de Janeiro.